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Feminicídios crescem 32% no Piauí; 87% das vítimas não registraram boletim de ocorrência

O levantamento mostra que, de 2022 a 2025, o estado registrou 182 feminicídios, sendo 40 em 2024.

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 Foto: Cidadeverde.com

O número de feminicídios no Piauí aumentou 32% em 2024 em relação ao ano anterior, e 87% das vítimas não haviam registrado boletim de ocorrência antes do crime. Os dados são do Núcleo de Estudos Avançados em Segurança Pública (DATASSP) e foram apresentados durante reunião estratégica na Defensoria Pública do Estado, nesta terça-feira (1). O levantamento mostra que, de 2022 a 2025, o estado registrou 182 feminicídios, sendo 40 em 2024. Em 2025, até março, são 18 casos confirmados, apontando uma tendência de crescimento.

A pesquisa também revela que apenas 10% das mulheres assassinadas possuíam medida protetiva. Além disso, 73% dos crimes ocorreram dentro da residência da vítima, e 68% foram cometidos pelo companheiro ou ex-companheiro.

De acordo com a SSP-PI, esses números demonstram que a maioria das mulheres assassinadas não havia acionado os órgãos de proteção antes do crime, seja por medo, dependência financeira, falta de informação ou até descrença na efetividade das medidas disponíveis.

O gerente da Gerência de Análise Criminal e Estatística da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI), delegado João Marcelo Brasileiro de Aguiar, destacou a necessidade de fortalecer a Rede de Proteção à Mulher por meio da integração de dados entre órgãos de segurança e assistência.

"A ideia é fortalecer, através de inteligência e dados confiáveis, a atuação da Secretaria frente aos outros órgãos de proteção no estado. Precisamos garantir que essas mulheres tenham acesso rápido e eficaz às medidas de proteção e que os casos de violência sejam prevenidos antes de culminarem em tragédias irreversíveis", afirmou.

Durante a reunião, também foram discutidas medidas como o monitoramento eletrônico de agressores, maior fiscalização do cumprimento das medidas protetivas e o fortalecimento das delegacias especializadas.

Piauí tem maior taxa de casos de feminicídios em 2024 entre 9 estados, aponta boletim "Elas Vivem"

Dados divulgados pela Rede Observatórios da Segurança, que realiza o levantamento de nove estados do Brasil, apontou que o Piauí possui a maior taxa, por 100 mil habitantes, de casos de feminicídios. Ao todo, foram 36 casos de feminicídios em 2024, relatados no boletim "Elas Vivem: um caminho de luta", divulgado em março.

Nesta edição, os números apontam que ao menos 13 mulheres foram vítimas de violência a cada 24h, e a cada 17h ao menos uma mulher foi vítima de feminicídio. Foram 4.181 eventos de violência, sendo 531 feminicídios. O levantamento é feito em nove estados monitorados pela Rede de Observatórios da Segurança: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. 

Segundo o levantamento, em todo Piauí, foram registrados 238 casos de violência contra a mulher no ano passado. Esse número representa um aumento de 17,8% dos casos em comparação a 2023, que apontou 202 casos. Dos 238 casos, a maioria deles foram de violência sexual ou estupro contra mulheres.

Jovens e domésticas foram as principais vítimas de feminicídio no Piauí em 2024, revela observatório

Outro levantamento, feito pelo Observatório da Mulher Piauiense revelou que três mulheres foram mortas por mês por feminicídio no Piauí, em 2024. Os dados foram divulgados em janeiro. O levantamento divulgou que as mulheres que mais morrem por feminicídio são pardas, domésticas e a faixa etária de 18 anos a 29 anos. De acordo com os dados, aumentou o número de boletins por violência doméstica saltando de 5,9 mil ocorrências para 7,8 mil  BOs.

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Fonte: Por Izabella Lima*, g1 PI

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